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PROJETO Nº 003 · ECONOMIA AZUL
Anteprojeto de Lei · Municípios Costeiros

Economia do Mar

Institui a Política Municipal da Economia Azul e o plano de infraestrutura turística e produtiva para municípios litorâneos de pequeno porte, com foco em pesca artesanal, maricultura e turismo de experiência.

Etapas4
Horizonte36 meses
Escala de referênciaaté 10 mil hab.
Fundo próprioSim
Capítulo 01

O mar é a maior indústria que a nossa costa já tem

Municípios litorâneos pequenos costumam depender do repasse federal e sofrer com a sazonalidade: lotam na alta estação e param no resto do ano. Ao mesmo tempo, têm em mãos um ativo que grandes centros não têm — mar, mangue, pescado e paisagem.

A proposta não tenta transformar cidade pequena em porto industrial. Aposta na vocação real: pesca artesanal qualificada, maricultura, turismo de experiência e preservação como ativo econômico.

Pesca artesanalMariculturaTurismo de base comunitáriaPreservação costeira
Escala de referência: municípios de até 10 mil habitantes — a realidade de boa parte do litoral baiano.
Etapa 01 · Meses 1 a 6

Organizar a orla antes de construir qualquer coisa

A

Zoneamento costeiro

Delimitação clara das áreas de pesca artesanal, praia turística, preservação de mangue e restinga, e fundeio de embarcações — evitando o conflito de uso que trava investimento.

B

Gestão da praia pelo município

Regularização da orla junto à União, permitindo que a taxa de uso do espaço de praia passe a ser arrecadada pelo próprio município.

C

Regularização do comércio de praia

Quiosques e ambulantes formalizados: mais segurança para o comerciante e receita recorrente para a cidade.

É a etapa mais barata e a que mais destrava as seguintes: sem ordenamento, nenhuma obra na orla se sustenta juridicamente.
Etapa 02 · Meses 6 a 12

Fazer o dinheiro do pescado ficar na cidade

Hoje o pescador vende barato, sem estrutura e sem selo, para atravessador de fora. O valor agregado sai do município. A etapa 2 inverte esse fluxo.

Entreposto do pescador

Estrutura modular e de baixo custo com fábrica de gelo, bancada de limpeza em inox e câmara fria — o mínimo para o pescado chegar íntegro ao comprador.

Selo de inspeção municipal

Permite que o peixe e o marisco locais sejam embalados com selo sanitário e vendidos legalmente a pousadas, restaurantes e mercados da região.

Rampas públicas

Pequenas rampas de concreto para embarque e desembarque seguro das embarcações de pesca e de passeio.

Venda direta

Com estrutura e selo, o pescador negocia direto com hotel e mercado — sem depender do atravessador.

Etapa 03 · Meses 12 a 24

Cidade pequena não compete em tamanho — compete em experiência

Píer público de múltiplo uso

Estrutura simples para atracação de barcos de passeio e prática de esportes náuticos, ampliando a oferta ao turista sem obra de grande porte.

Urbanização leve da orla

Decks de madeira sobre a areia, iluminação solar e lixeiras adequadas — preservando a restinga em vez de asfaltar a beira da praia.

Trilhas e sinalização

Roteiros costeiros sinalizados, que distribuem o turista pelo território e desafogam o ponto central.

Turismo de base comunitária

O visitante acompanha o pescador na coleta do marisco e come onde o morador come. A renda fica com a família local.

O foco em experiência combate a sazonalidade: dá motivo para visitar fora da alta estação.
Etapa 04 · Meses 24 a 36

A estrutura precisa se pagar depois que a obra acaba

A

Saneamento que garante a praia limpa

Soluções ecológicas de tratamento em quiosques e pousadas da orla. Balneabilidade não é bandeira ambiental: é condição para o turismo existir.

B

Conectividade na orla

Internet de qualidade na área do píer e nas praias centrais, atraindo quem trabalha remoto e fica semanas — não dias.

C

Fundo municipal da economia do mar

Abastecido pelas taxas de uso da praia, pelo turismo náutico e pela preservação dos manguezais. O fundo retroalimenta as etapas anteriores, sem depender só de repasse.

Capítulo 06

Quem investe na cadeia do mar paga menos imposto

O texto autoriza o Executivo municipal a reduzir tributos locais, por prazo determinado, para empresas que operem na cadeia da economia azul — pousadas ecológicas, operadoras de mergulho, estaleiros artesanais e cooperativas de mariscadores.

Redução de tributos municipais por prazo certo para negócios da cadeia do mar

Selo de origem para o pescado local, com prioridade na compra da merenda escolar

Prioridade a cooperativas e à agricultura familiar do mar nas compras públicas

A renúncia é temporária e condicionada: vale enquanto gera emprego formal e receita recorrente na própria cidade.
Síntese do projeto

O mar já é nosso. Falta ele gerar renda para quem vive dele.

Ordenar a orla, dar estrutura e selo ao pescador, transformar a paisagem em experiência e criar um fundo que se sustente. Sem obra faraônica — com o que o litoral já tem.

ECONOMIA DO MAR
DRA. RAISSA SOARES · PROPOSTA DE GOVERNO · DEPUTADA FEDERAL